desconto 75% em óculos de sol
O Verão está aí e os meus óculos de sol libertaram o seu último suspiro… Então, devidamente acompanhado de uma fashion adviser, que nestas coisas é bom conhecermos as nossas limitações, fui a um oculista, experimentei 300.000 pares diferentes, escolhi, paguei e vim-me embora.
Porque é que esta história é digna de uma posta? Pelo que fiquei a saber mais tarde…
Pessoa Que Não Quero Identificar: – Quando for assim, avisa-me que vamos a um oculista que eu conheço que na factura mete “óculos graduados” em vez de “óculos de sol”…
rf: – E então?
PQNQI: – E então??? E então assim a ADSE devolve 75% do valor dos óculos! Se temos direito temos que aproveitar…
Chamem-me o que quiserem, de ingénuo a betinho, já ouvi de tudo… para mim, atitudes como esta são pouco diferentes das dos deputados ingleses recentemente acusados de fazerem os contribuintes pagar despesas extravagantes com as suas segundas casas… aliás, a táctica dos óculos é pior, porque constitui fraude enquanto a história dos deputados embora moralmente repreensível não era necessariamente ilegal!
É incrível como as pessoas se habituam de tal maneira a estes esquemas que às tantas defendem as suas posições com mentiras óbvias como “se temos direito temos que aproveitar”. O problema é que NÃO têm direito!
O mais incrível é que quem não faz isso… é considerado parvo! É um belo exemplo dos podres da cultura Portuguesa.
Até agora paguei todos os meus óculos de sol na íntegra (ok.. tirando o desconto pelo facto da minha mãe ser amiga do dono e tal…)… mas quase todos os meus amigos (madeirenses) já fizeram isso pelo menos uma vez. Aliás, havia um oculista na Madeira que era famoso por ter um “médico residente” que passava as receitas de óculos de vista para quem tinha direito ao desconto da ADSE.
Mas pelo que esses mesmos amigos me deram a entender, esse esquema já não é tão simples (não sei os pormenores).
Penso que não há qualquer ilegalidade desde que haja receita médica a quem sofre de fotossensibilidade e condições associadas. Não vejo motivo para não haver direito à comparticipação nestes casos.
Claro que há sempre quem ache que este tipo de problemas são sempre mariquices ou esquemas, característica muito portuguesa também curiosamente.
André,
O problema não são esses casos, são as pessoas que aproveitam-se de quem realmente precisa para roubar os contribuintes. Ou seja, eles arranjam as receitas médicas mesmo não sofrendo de “fotossensibilidade e condições associadas”.
My 2 cents,
Pedro